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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A soberana vocação


"Irmãos, não julgo que o haja alcançado. Mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que para trás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." (Fp 3: 13,14)

O apóstolo Paulo, com convicção no seu coração, cada vez mais demonstrava maior desapego por questões relacionadas a esta vida – tanto nas questões temporais, como nas questões de prestígio e reconhecimento humano, e ainda no que diz respeito ao suprir de suas necessidades – mostrando-se sempre dependente de Deus (Fl 4:11,12), buscando a cada dia com maior empenho consagrar-se a Cristo, vislumbrando um lugar de realização em Deus e não em qualquer outra coisa.

Paulo, ao despojar-se dia após dia de si mesmo e de tudo aquilo que se lhe opunha contra esta busca, exorta-nos ao mesmo tempo quanto a aqueles que andavam sonolentos e inconstantes em sua caminhada de fé. Estes, na verdade, não haviam até então percebido que somente estavam usando Deus para as próprias realizações e satisfação de suas loucas concupiscências, desenfreados em suas carnalidades e tendo Deus como amuleto realizador de seus desejos.
Como homem de Deus que foi, Paulo não poderia, nem conseguiria, calar-se e não denunciar o pecado de idolatria dominante na vida destes que, segundo suas palavras, tinham como deus o seu próprio ventre e não pensavam em outra coisa, se não naquilo que fosse terreno.
É terrível a forma como o pecado cega homens e mulheres que não têm em suas vidas prioridades bem definidas em seus corações, prioridades estas principalmente relacionadas ao Reino de Deus e a seus propósitos eternos, pois, quando um homem não vive para Deus, vive vazio e ludibriado por seu coração enganoso e influenciado pelo 'príncípe deste século'.
A Palavra da Verdade afirma: "Não vos enganeis..." (Gl 6:7). Aqueles que querem satisfazer a carne terão a recompensa amarga, trazida pela dureza e ignorância de corações que não se rendem a Deus e a Sua Vontade. Antes, se entregam ao orgulho e arrogância presentes no agir dos inimigos de Deus e de seu Reino Bendito.
Ao cristão, cujo coração foi iluminado, cabe a completa sujeição ao querer e efetuar do Mestre Amado, que produz o aperfeiçoamento daquele que foi feito uma nova criatura, criado em Cristo para louvor de Sua glória e veneração de Sua Santidade.
Este não se ocupa mais com questões insensatas e tolas, que só procuram atrasar a corrida na carreira proposta pelo Salvador, porém se apresenta constantemente como sacrifício vivo (Rm 12:1), para que o cheiro suave chegue às narinas d'Aquele que está assentado sobre um Trono de Glória (Ap 20:11).
O cristão prudente entende que está unido ao Senhor em um mesmo espírito (1 Co 6:17) e não pode viver de outra maneira se não aquela que agrada ao seu Senhor. Uma vez que é escravo de Cristo, comprado com o Sangue Precioso vertido no madeiro.
Ainda que seja calado pela inveja, como foi Abel, terá suas ofertas falando por ele (Hb 11:4).

Ainda que seja considerado louco, fará a vontade de Deus, como fez Noé (Gn 6:14).
Ainda que esteja velho, verá cumprida a promessa de Deus em sua vida (Gn 21:2).
Ainda que não tenha abundância material, como Moisés entrará nos tabernáculos eternos (Dt 3:26).
Ainda que perca tudo, terá a certeza de que seu redentor vive (Jó 19:25).
Ainda que seja o menor entre os homens, será considerado segundo o coração de Deus (At 13:22).
Este, ainda que caia, não ficará prostrado (Salmo 37:24).
Ainda que esteja encavernado pelas circunstâncias, ouvirá Deus lhe chamar (1 Reis 19:9).
Ainda que lançado na fornalha, não negará o seu Deus (Dn 3:17,18).
Mesmo que não veja a figueira florescer, confiará no Senhor (Hc 3:17).
E ainda que seja pendurado no madeiro, dirá "entrego a ti meu Espírito" (Lc 23:46).

Chamados para uma nova vida

"Dou graças àquele que me fortaleceu, a Cristo Jesus nosso Senhor, porque me considerou fiel, pondo-me no seu ministério, a mim que outrora fui blasfemo e perseguidor e injuriador; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade; e a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e o amor que há em Cristo Jesus."
(1 Tm 1:12,13 e 14)

Paulo – Um homem de convicção
Quando Paulo vivia no judaísmo, ainda que em uma direção oposta à vontade de Deus, havia algo marcante em sua vida: a convicção com a qual ele desempenhava seu papel de fariseu.
É interessante enterdermos que, quando nós nascemos de novo para o Reino de Deus, nosso espírito renasce, todavia nossa personalidade continua sendo a mesma. O fato é que Deus passa a dirigir de maneira correta nossas vidas e usa nossa personalidade em favor da edificação de sua Igreja.
Importante ressaltar que Paulo tinha convicção de sua salvação e chamado (Gl 1 : 15. At 26 : 14-19), de que sua vida estava na cruz de Cristo (Gl 2 :20) e de que seria recebido na glória pelo Pai (2 Tm 4 : 8).

Um homem de renúncia
Para Paulo, era muito claro que o tempo de uma vida em plenitude não era uma realidade para este tempo presente, pelo contrário, tal certeza fazia-o com que procurasse se empenhar naquilo que acrescentaria para o descanso eterno, ou seja, o trabalho em prol do Reino de Deus.
"A minha ardente expectativa e esperança é de em nada ser confundido, mas ter muita coragem para que, agora e sempre, Cristo seja engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro" (Fp 1: 20,21).
"Mas em nada tenho minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (At 20 : 24).
"E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo" (Fp 3 : 8).

Um homem que conhecia sua posição em Cristo Jesus
Por muitas vezes, Paulo se via em uma situação em que seu chamado e sua autoridade eram questionados, mas sua clareza acerca do propósito de Deus era suficiente para espantar todos os complexos e melindres que muitas vezes queriam encontrar ocasião em sua trajetória com Deus. A falta de identidade das pessoas muitas vezes é a causa do naufrágio na navegação rumo à glória eterna de Jesus Cristo. As pessoas guerreiam muitas vezes umas com as outras por não entenderem que o inimigo real está em uma outra esfera. Muitas vezes os ciúmes, invejas e disputas levam as pessoas a querer ser, ter ou fazer o que é papel de outro no corpo de Cristo. A Igreja muitas vezes tem de lidar com falsos mestres e apóstolos.
Paulo garantia sua vitória em Cristo por meio da certeza que tinha acerca de seu chamado.

Um homem que amava a Jesus e Sua igreja

"Desejo conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte, para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dentre os mortos" (Fp 3 : 10,11).
Quando olhamos para uma declaração como esta, com certeza vemos um homem que ama com um amor sacrificial, disposto a tudo para agradar a seu Senhor. E, sobre isso, Paulo dá ensino a seu discípulo Timóteo quando diz: "Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra" (2 Tm 2 : 4).
Notamos um amor que se doa em favor e do beneficio de outro. E vemos também que esse tipo de amor era expressado à igreja de maneira extensiva e vinculada. Como algo profundamente relacionado e harmonizado com o intuito de glorificar a Deus acima de todas as coisas.
"Por este motivo, tudo suporto por amor dos eleitos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna" (2 Tm 2 : 10).

Conclusão
Muitas pessoas vivem uma vida sem propósito mesmo dentro de uma igreja, ou inseridas dentro de um contexto religioso. Mas o que importa no final é a intenção com a qual se vive mesmo nesse meio. O egoísmo suga todas as nossas forças e abafa nosso potencial em sermos instrumentos eficazes para a glória de Deus.
Podemos entender que o alimento de Paulo para uma vida de vitória em Cristo Jesus, diante das mais terriveis tribulações e dificuldades, com toda a certeza era a maneira como Paulo encarava a vida que lhe tinha sido dada. Deveria ser vivida primeiramente não em beneficio próprio, mas para glorificar a Deus e torná-Lo manifesto por meio de um viver santo e agradável ao Senhor.

Vasos nas mãos do Oleiro


A nação israelita andava por caminhos que não agradavam ao Senhor, então, por intermédio do profeta Jeremias, o Senhor fala acerca do vaso do Oleiro, fazendo uma analogia entre o vaso e a nação de Israel. É interessante olhar para nossas vidas e percebermos o quanto necessitamos de uma mudança profunda em nossos corações, o problema é que em muitos casos a percepção desta necessidade não é tida por parte daquele que precisa da mudança (Jr 18:12).

É muito preocupante quando olhamos para muitos dos adeptos de instituições evangélicas e analisamos que existe pouca preocupação, no que diz respeito ao empenho para uma mudança de vida significativa. As pessoas só estão interessadas em bens e em ter uma vida social admirável ou aceitável.

Quando examinamos a Palavra de Deus, temos a clareza de que Deus espera fazer muito mais em nós do que simplesmente nos dar algo para a vida temporal neste mundo. Deus quer mudar nossas vidas, tornar-nos vasos de honra.

Somos chamados para sermos vasos sinceros, ou seja, sem cera. Deus quer exalar o perfume de Cristo por meio de nós. Deus quer nos usar como vasos de honra. Deus quer derramar seu óleo santo sobre nossas vidas.
Quando o apóstolo Paulo instrui Timóteo acerca do obreiro aprovado (2 Tm 2:20), ele também faz uma analogia usando o vaso. É interessante notar como Deus mostra por meio de tal situação que estamos em suas mãos, nossas vidas pertencem a Ele. Quando Jesus instrui a Nicodemos, deixa claro uma coisa: algo tem que ser feito novamente. O homem precisa nascer de novo, os vasos precisam ser refeitos, estão cheios de rachaduras e não são aceitáveis remendos. E sim a recriação, a reconstrução do vaso.

O Espirito Santo que maravilhosamente opera a obra da regeneração em nossas vidas, com toda certeza tem o plano ideal para fazer de nós vasos de honra. Quando colocamos nossas vidas à disposição, esta obra é intensificada e nos aperfeiçoa para o propósito de Deus. O salmista no capitulo 51 diz reconhecer a necessidade de mudança que havia em sua vida, desde o mais íntimo do ser. Entende que o pecado é uma rachadura que compromete toda sua estrutura, e humilhado clama a Deus por uma regeneração que somente o próprio Deus tem capacidade de operar. Da mesma forma que o oleiro tem poder sobre o barro, disto também Paulo fala na Carta aos Romanos, no capítulo 9, versos 20 e 21, quando ensina sobre a eleição dos gentios.

Quando a consciência fica cauterizada

Mateus, capítulo 23

Um homem pode ter tamanha persuasão a ponto de levar outros a serem salvos e, ainda assim, ser condenado. É o caso dos líderes religiosos contemporâneos de Jesus, que tinham diante de si todo o conselho de Deus em letras, mas não o tinham nos seus corações, tão endurecidos pelo orgulho e autossuficiência que não lhes permitia ver diante de si a revelação do Próprio Deus, a expressa imagem de Sua Pessoa. O legalismo em suas vidas os enchia de orgulho e vanglória, pois lhes dava uma falsa impressão de justiça, baseada em sua aparência e não nos desígnios de seus corações. Com isso apresentavam aos homens um padrão inatingível e os oprimiam. Antes, amavam a glória dos homens e por eles serem vistos.

Vemos Jesus agir com um rigor muito forte sobre eles, mostrando que Deus não aceita que o homem se exalte, pois conhece a miséria na qual o homem está afundado e quer lhe abrir os olhos. Jesus deixa claro que toda exaltação humana terminará em humilhação e ruína, toda glória do homem é passageira, é vã, pois na verdade não existe. Somente em Deus existe glória e só a Ele pertence a glória, e Ele não a divide com ninguém.

Jesus adverte quando ao fato de o homem poder negligenciar os princípios de Deus mais fundamentais – fé, misericórdia e justiça – e apoiar-se em seus falsos méritos, vivendo assim à semelhança de uma sepultura bem adornada, porém cheia de ossos secos e coisas podres dentro de si.

Em um tempo em que as pessoas tentam vender e comprar as bênçãos divinas, não é difícil encontrar paralelos como estes, pois muitas vezes vemos pessoas imporem fardos pesados sobre outras, baseando-se no próprio senso de justiça e em corações cheios de juízo. Vemos em muitas doutrinas, apresentadas por aí, a falta de misericórdia. Afirmam que, se uma pessoa não alcança determinada bênção, está endemoniada ou com pouca fé, ou ainda envolta em pecados não confessados. Vemos um grande exemplo de legalismo acompanhado de falta de misericórdia, na vida dos três amigos de Jó, que o oprimiam baseados em sua própria justiça e, como não poderia ser diferente, são reprovados por Deus.

Quando Jesus está repreendendo aqueles homens, que apresentavam esse comportamento legalista e farisaico, está ao mesmo tempo mostrando o quanto é elevado o padrão de Deus e quão grande é sua misericórdia para com aqueles que se humilham diante de sua presença e glória.

Na verdade esta repreensão já lhes vinha ocorrendo antes, Jesus sempre esteve exortando, por meio de parábolas, quanto ao estado reprovável de suas vidas. Mas, como homens que se negam a enxergar a verdade, chegaram ao limite em que Jesus começa a censurá-los com toda a clareza possível.


Que Deus te abençoe!!